A reacção da líder fascista francesa à condenação judicial de ontem é bastante elucidativa do estado a que chegamos. Tal como sucede por cá (e não apenas com o partido em que estais a pensar), o discurso securitário e anti-bandidagem só se aplica aos outros, de preferência aos desgraçados de outro país qualquer.
Para que conste, Le Pen considerou que a sua condenação em tribunal - por andar a gamar (pardon for my french) fundos comunitários para pagar ordenados a amigalhaços - constitui "uma bomba atómica" e uma forma de "roubar" (cá está) a eleição presidencial aos franceses. Ou seja: não há problema nenhum em subtrair, roubar, gamar, violar menores, vigarizar, mentir, enganar, produzir falsas declarações éticas ou bater em mulheres se forem os nossos a praticar tais vilezas. Se formos apanhados, dizemos que estamos a ser perseguidos. E é muito possível que os papalvos que votam em nós engulam mais esta e continuem a caminhar alegremente para a sarjeta.