Escreveu o heterónimo Bernardo Soares: «Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações»? Acabo, de resto, de assistir à mais prosaica demonstração destas palavras: à porta de um restaurante tailandês do Porto, aglomerava-se, à hora de almoço, uma grande quantidade de tailandeses, os quais, está claro, não se dariam ao trabalho de turistar para tão longe a fim de se rebaixarem a deglutir rojões ou tripas.
P.S.: a propósito, adoro os cidadãos que viajam para a Tailândia e para outros paraísos exóticos durante uma pandemia ou na véspera de uma guerra anunciada, e que, sendo provavelmente liberais e reformadores q.b., exigem que o Estado (que somos nós todos, mesmo os que não viajam) lhes trate da viagem de regresso.