quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Dúvida gripal



O gabinete de crise pandémica da minha entidade patronal requereu que toda e qualquer viagem para países com mais de 500 casos de gripe A fosse comunicada superiormente, a fim de que o referido gabinete fornecesse aos trabalhadores um kit incluindo máscaras de protecção contra perdigotos e outros miasmas e um medicamento cujo produtor há-de estar a ganhar rios de pasta. Obediente e aterrorizado pela simples menção da sigla H1N1, deixei-me ficar em casa, escondido, encolhido entre os lençóis, mal me atrevendo, sequer, a bisbilhotar a vida dos vizinhos por entre as cortinas. Levanto-me só para ver nos noticiários da televisão as novidades sobre a gripe e, mesmo assim, vi as férias arruinadas pelo anúncio segundo o qual a pátria sã já conta mais de seiscentas vítimas da pestilenta gripe - e eu não sei o que faça agora, se me deixe estar quietinho, se me apresente no local de trabalho comunicando ter estado num país de alto risco, reclamando a correspondente atribuição do higiénico kit e a concessão de alguns dias de quarentena lá mais para Setembro.