terça-feira, 7 de abril de 2026

Esses perigosos esquerdalhos do PSD

 O governo português subscreveu um documento que, em nome de vários países europeus, pede a Bruxelas que estude a criação de um imposto sobre os lucros excessivos das empresas energéticas. Salvo erro, o dito imposto não difere quase nada daquele que o (quase extinto) Bloco de Esquerda reclama desde (pelo menos) 2022, tendo como alvo a banca, a energia e a distribuição, e visando os lucros excessivos gerados pela inflação e pelas taxas de juro elevadas. 

Das duas, uma: ou o governo de Montenegro é mais radical de esquerda do que o da Geringonça ou, nesta época em que vale tudo para enganar o pagode, os social-cheganos-liberais-patrioteiros decidiram fingir adoptar uma parte do programa do BE a fim de parecer que estão a fazer alguma coisa, quando a sua única e verdadeira intenção é proceder à operação cirúrgica que em português corrente se designa pela expressão "encanar a perna à rã".

Porventura mais peculiar, ainda nenhum dos comentadores do costume encontrou motivos para considerar que o imposto agora reclamado a Bruxelas constitui uma perigosa deriva marxista e uma cedências ao mais perigoso comunismo, por implicar, desde logo, o reconhecimento tácito da existência de lucros pornográficos na casta actividade das empresas privadas. Salvo erro, nem o André Ventura mugiu ainda sobre o assunto (mas esse parece que traz um olho à Belenenses, provavelmente por excesso de fervor no contacto com o compasso pascal).