Interesso-me, sim, por assunto esdrúxulos. Li, por isso, com relativa atenção, a notícia que dava conta de um novo e extraordinário avanço científico relacionado com a antimátéria.
Na minha humilíssima opinião, o turismo dos antiprotões deve, desde já, mobilizar a atenção das nossas autoridades, na medida em que não deve ser descurada a possibilidade de, um dia destes, os termos (aos antiprotões) a passear também pelas nossas pitorescas localidades, a bordo de tuk-tuks e de ubers, a almoçar em restaurantes de ramen e a comprar recordações fabricadas no Paquistão. Devemos ser ambiciosos e garantir, desde já, que Portugal dispõem de todas as condições para proporcionar extraordinárias experiências à antimatéria, desde que, claro, venha de um país decente e limpo, e não pretenda roubar os nossos empregos, nem viver à custa de subsídios ou do tráfico de drogas.
Para além destas considerações mais estratégicas e patrióticas, importa, creio, questionar os motivos que levaram os cientistas a realizar a excursão dos 92 antiprotões num momento tão inoportuno como este, com o gasóleo a preços proibitivos e o Estreito de Trump afectado por uma obstipação. A menos que a viagem tenha sido realizada com antigasóleo, não se percebe.
Não menos grave é o facto de a antimatéria do CERN não ter seguido as tendências do mercado mundial de turismo, indo, em vez disso, laurear experimentalmente a pevide num sítio que está longe de ser o melhor destino turístico do mundo e arredores.
Importa, por fim, constatar que as precauções tomadas pelos cientistas evitaram que a antimatéria em trânsito destruísse a matéria dos arredores. Bem vistas as coisas, não se teria perdido grande coisa se os piores receios da ciência se tivessem confirmado e a realidade fosse engolida pelo grande, pelo incomensurável nada. Se o big bang é responsável pela criação do Trump, do Puttin, do Rubio, do Hegseth, do Netanyahu, do Ventura, do Milei e do Orbán, ele que os ature.