Hesitei bastante, confesso, antes de escrever este texto, desde logo porque estou cansado de várias coisas que só lateralmente vêm ao caso: que a seleção portuguesa de futebol vá disputar um joguinho amigável numa nação que está, neste momento, a matar civis inocentes (em escolas e universidades, como já aconteceu) no âmbito de uma guerra ilegal e que viola várias disposições do direito nacional (deles) e internacional (de todos nós), executando, como quem bebe um copo de água, líderes políticos, religiosos e militares que não foram julgados em tribunal algum, ao mesmo tempo que os moluscos paneleiroides do governo português autorizam a utilização de uma base nos Açores para esse fim (ao contrário do que fizeram, por exemplo, a Espanha e a Itália). (uffff...)
Talvez valha a pena recordar, neste ponto, que a Rússia foi excluída de todas as competições desportivas internacionais assim que invadiu um país (nazi, alegam eles), mas que nada nem ninguém impede os desportistas do Eixo israelita-norte-americano de participarem, à vontadinha, em todas as provas desportivas que lhes apeteça, enquanto várias nações se preparam até para ir em romaria jogar um Mundial de Futebol num país que não garante a mínima decência às pessoas que o visitam (e muito menos, portanto, à seleção iraniana, mas sabe-se lá o que poderá acontecer aos futebolistas de Cabo Verde e aos seus adeptos, por exemplo).
As autoridades nacionais, porém, fecham os olhos, fazem de conta que não vêem e assobiam para o ar. Se Trump fizer questão e der ordens nesse sentido, Nuno Melo, Paulo Rangel e Luís Montenegro aceitarão até varrer a base das Lages quando terminar o morticínio dos MQ-9 (e, se calhar, nem se importam de levar a vassoura atarrachada ao fundo das costas).