As vantagens de regressar à universidade depois de velho, quase 33 anos depois do último exame, não se esgotam, como facilmente se perceberá, nos aspectos formativos e de plasticidade neuronal. O convívio com outras e diversas gentes permite um olhar bastante panorâmico sobre a humanidade, tantas vezes espantosa e desconcertante. Hoje, por exemplo, vi um moço que procurava caminhar equilibrando duas pedras brancas na ponta das sapatilhas. Empreendia, para isso, passos curtos e decididos, compondo um quadro necessariamente excêntrico e um pouco deslocado do mundo. Pareceu-me que, a não ser apenas um tipo extravagante, se estava adestrando para o frágil equilíbrio que é viver entre a multidão dos outros loucos.