terça-feira, 31 de março de 2026

«Escritores há muitos», seus palermas

 O assunto é tão exótico que não parece ser sequer necessário tomar partido por José Saramago (ou por Mário de Carvalho, ou por Camilo Castelo Branco) a propósito de uma das mais recente trapalhadas armadas pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação. Questionado por um pé-de-microfone, sua excelência o professor Fernando Alexandre alegou, sem que lhe caísse qualquer dente, que a proposta resulta de uma questão «técnica», desvalorizando a polémica com a redonda frase segundo a qual «Portugal tem muitos escritores». Já hão-de, aliás, os escritores (e as escritoras) ser mais numerosos do que os chapéus no tempo do Vasco Santana, dos mais diversos géneros e para quase todos os gostos. O que não há é outro que tenha ganho o Nobel da Literatura e que constantemente nos recorde que, num tempo em que tudo se privatiza a eito, talvez estes energúmenos pudessem, «já agora», privatizar «também a puta que os pariu a todos». Ora isto, bem vistas as coisas, não é afronta que um palerma possa relevar.