Sois conscientes, creio, da minha devoção pela sofisticação e pela arte. Foi precisamente movido por esse traço de personalidade que reparei na notícia segundo a qual o executivo municipal do Porto pretende, de forma unânime, alindar a cidade com retretes estilosas. A inspiração de tal medida é cinematográfica, revelando, para além das dimensões semióticas que a Cristina certamente esclarecerá, dois aspectos francamente positivos: os edis portuenses vão ao cinema e possuem bom gosto cinéfilo. Aguardo agora, e com bastante expectativa, o luminoso dia em que poderei aliviar-me de uma cólica num equipamento de mobiliário urbano desenhado por uma estudante talentosa da FAUP, aliando, deste modo, a satisfação fisiológica, a fruição estética e o proveito intelectual que advirá da instrutiva conversa que poderei entabular com o responsável pela higienização do espaço. Com este propósito, vou já começar a pôr em dia as leituras de Faulkner, de Aya Koda e de Gustavo Santos.