terça-feira, 29 de setembro de 2026

No meu tempo é que era bom

 No meu tempo - lapso temporal que ocorreu há, digamos, algumas décadas -, um artigo elogioso publicado num jornal podia, no máximo, estragar um bom restaurante, na medida em que essa referência inicial, replicada por outros órgãos de comunicação social, tornava impossível que se conseguisse mesa para jantar no tal restaurante. Depois, face ao crescimento da procura, os preços aumentavam (sem que fosse ainda possível encontrar lugar para jantar no nosso restaurante do costume). Por fim, os donos do restaurante de que toda a gente falava, a braços com um negócio bastante rentável, vendiam o negócio e passaram a viver dos rendimentos auferidos. Não sei, agora, como funciona o negócio da restauração ou os efeitos das recensões gastronómicas nos jornais tradicionais. O que sei é que vi num desses folhetos uma reportagem (nem sequer elogiosa) sobre uma moça que se vende nas redes sociais. O efeito foi, porém, igualmente devastador: a jovem aumentou os lábios e foi fazer férias em Bali.