Em Nova Iorque, a propósito do aniversário de um atentado terrorista, discute-se hoje se os residentes muçulmanos são mais ou menos novaiorquinos do que os cristãos que chegaram antes e que dizimaram os índios que já lá estavam. Em Gaza e na Cisjordânia continua o genocídio dos que lá moram. Em Ceuta, ainda há poucas horas ardiam as tendas onde se abrigaram migrantes africanos que ousaram entrar naquela colónia espanhola em África (a qual, por ironia da História, até tem um escudo português na bandeira).
Estes três exemplos pretendem ser apenas ilustrativos de um mal maior e mais profundo, dessa mistura de cegueira, ruindade e prepotência que colonizou o planeta, do Donbass à Amazónia, da Gronelândia ao território Rohingya de Myanmar, e que não se vê como possa acabar, excepto por parecer mais ou menos evidente que vai acabar mal. A menos que, conforme informou há dias um especialistas, a dita inteligência artificial erradique a espécie humana da Terra até 2030.
Esperemos que não seja, ainda assim, demasiado tarde e o fim do horror - The horror... The horror... - ocorra antes que sejamos capazes de ir estragar outro planeta. Mas ainda esta manhã um site noticioso informava que acaba de ser desenvolvida uma fórmula à base de gelatina e levedura para imprimir casas 3D em... Marte. À mesma hora a que li a notícia, as chamas mordiam ainda as tendas dos migrantes de Ceuta, desses africanos em África a quem os patriotas espanhóis, os invasores europeus, erguendo outra vez o braço sem vergonha, chamam tuberculosos e violadores, para que se vão embora. Mas não para Marte, isso é certo.