Numa das muitas esquinas do meu domingo, uma parelha de mulheres requisitou-me para que aceitasse receber um exemplar do folheto que promete o fim do sofrimento geral e solução para "doenças, vícios, inveja, nervosismo, dívidas, medo, insônia [sic], depressão, desejo de suicídio, visão de vultos, audição de vozes, problemas na família" e "problemas espirituais" mais genéricos. Cada um destes achaques, ou o seu conjunto, é objeto de "concentração de fé e milagres", garantida em "todos os domingos" do ano.
Não há nas linhas precedentes, creio, qualquer novidade fundamental. A ignorância e a credulidade não são características que distingam particularmente o tempo em que nos calhou viver. O único serviço que, no folheto, verdadeiramente me surpreendeu foi a "consagração" de garrafas de água. Não sei se se trata de uma alternativa ao sistema Volta, destinado a embalagens rejeitadas, nem se a "consagração" é também realizada no interior de uma maquineta que acende luzes psicadélicas. Prometo investigar. Mas estou capaz de apostar um rim: de certeza que esta alternativa à reciclagem não cospe moedas de dez cêntimos e é bem capaz de ainda obrigar ao pagamento de uma taxa para ajudar à manutenção da "sagrada família" milagreira.