A generalidade dos órgãos de comunicação social (e, salvo raríssimas excepções, os respectivos comentadores) reagiram às últimas eleições na Alemanha equiparando a vitória dos fascistas da AfD ao triunfo do Die Linke. Chamam, a uns, extrema-direita e, aos outros, extrema-esquerda. Mas extrema-esquerda porquê? O Die Linke (ao contrário da AfD, do Chega ou do Estado Islâmico) não se propõe perseguir minorias, não atenta contra direitos humanos fundamentais, não ataca a dignidade essencial dos cidadãos, não defende a censura das liberdades individuais e não desrespeita as regras básicas da decência e do convívio democrático. No discurso dos fascistas, porém, qualquer partido de esquerda é radical e extremista. Basta, para isso, que proponha combater e reparar desigualdades, iniquidades, injustiças e séculos de privilégios. Ao alinharem o seu discurso pelos slogans dos Trumps e dos Milei, e pela sua cantiga para enganar papalvos, os jornalistas tornaram-se directamente responsáveis pela ascensão daqueles que os hão-de amordaçar.