sexta-feira, 5 de junho de 2026

Para que não continue tudo na mesma

 Há alguns anos, em plena vigência da austeridade troikista, frequentei uma oficina de escrita de guiões para BD organizado pela editora Turbina, no âmbito da qual imaginei um super-herói desempregado, defensor dos humilhados e que se dedicava, nos seus sonhos, a tentar corrigir as (sempre galopantes) iniquidades sociais a que estamos sujeitos. A história, depois desenhada pelo Daniel Casal, integra o fanzine Memória da Crise.  

No recém-publicado romance O Dia da Morte do Primeiro-Ministro (Glaciar, Maio de 2026), o Nuno Casimiro arrisca algo ainda mais subversivo: uma onda de ações simbólicas de protesto que põe em evidência o estado a que chegamos na sequência do modelo económico-social imposto pela governação de Cavaco Silva. Combinando uma escrita ágil e um domínio exímio do ritmo narrativo e das técnicas de comunicação de massas, o livro propõe uma espécie de possível guião para que não continue tudo na mesma, bastante mais efectivo e sério do que o imbecil voto de protesto no grupo de mentirosos contumazes oportunisticamente reunidos em torno do grande manipulador Ventura.

Vale bastante a pena lê-lo e, por estes dias, será até possível conversar com o autor nas duas sessões de lançamento já anunciadas: em Lisboa, no domingo, 7 de Junho, às 17h00, no Auditório Norte da Feira do Livro, com apresentação de Nuno Ramos de Almeida; e no Porto, na segunda-feira, 8 de Junho, às 18h30, na Livraria Térmita (ao lado do bar Candelabro), com apresentação de Álvaro Domingues.