Há alguns anos, em plena vigência da austeridade troikista, frequentei uma oficina de escrita de guiões para BD organizado pela editora Turbina, no âmbito da qual imaginei um super-herói desempregado, defensor dos humilhados e que se dedicava, nos seus sonhos, a tentar corrigir as (sempre galopantes) iniquidades sociais a que estamos sujeitos. A história, depois desenhada pelo Daniel Casal, integra o fanzine Memória da Crise.
No recém-publicado romance O Dia da Morte do Primeiro-Ministro (Glaciar, Maio de 2026), o Nuno Casimiro arrisca algo ainda mais subversivo: uma onda de ações simbólicas de protesto que põe em evidência o estado a que chegamos na sequência do modelo económico-social imposto pela governação de Cavaco Silva. Combinando uma escrita ágil e um domínio exímio do ritmo narrativo e das técnicas de comunicação de massas, o livro propõe uma espécie de possível guião para que não continue tudo na mesma, bastante mais efectivo e sério do que o imbecil voto de protesto no grupo de mentirosos contumazes oportunisticamente reunidos em torno do grande manipulador Ventura.
Vale bastante a pena lê-lo e, por estes dias, será até possível conversar com o autor nas duas sessões de lançamento já anunciadas: em Lisboa, no domingo, 7 de Junho, às 17h00, no Auditório Norte da Feira do Livro, com apresentação de Nuno Ramos de Almeida; e no Porto, na segunda-feira, 8 de Junho, às 18h30, na Livraria Térmita (ao lado do bar Candelabro), com apresentação de Álvaro Domingues.