quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O tempo do desespero

 «Estamos desesperados», diz um autarca a braços com os efeitos do mau tempo na zona Centro. «Estamos desesperados», repete uma celebridade que perdeu o cão. Igualmente «desesperados» aparecem, nas notícias recentes, o treinador de futebol do Tottenham e os retidos no maior campo de refugiados do mundo, em Chittagong, no Bagladesh. Num centro comercial do Porto, ao entardecer, dois homens conversam enquanto se refugiam da chuva. Não sei do que falam. Escuto apenas, enquanto passo a caminho das escadas rolantes, o que diz um deles: «É o desespero. As pessoas estão desesperadas». Talvez seja um sinal do tempo. E é possível que ainda não sejamos capazes de perceber completamente que consequências advirão de uma época assim.