Existia desde Aristóteles, pelo menos, um relativo consenso quanto ao significado das palavras escolher e decidir, ambas relacionadas, seja como for, com o exercício da vontade (e ainda que esta possa estar de algum modo condicionada por razões externas). Mas tudo isto acabou. Ontem escutei um imbecil que, tendo acabado de exercer o direito ao voto antecipado, explicou diante de uma câmara de TV que decidira em quem votar com a ajuda da inteligência artificial e das tracking pools dos sites supostamente informativos. Quando, na falta de uma inteligência própria, as escolhas humanas passaram a ser ditadas pela tômbola electrónica, o próximo presidente da república tanto pode ser um urso de peluche como um salpicão com bolor.