quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Dantescos

 Os estragos da mais recente tempestade são, é verdade, muitíssimo impressionantes. São mesmo bastante mais graves do que os atropelos à mais elementar razoabilidade. Nos telejornais, autarcas e alegados jornalistas atropelam-se para declarar que o cenário de destruição é "dantesco". Só ainda não consegui perceber a que obra ou passagem de Dante se referem para estabelecer tal metáfora. Que me lembre, nunca chove ou sopra tal vento no inferno, no purgatório ou no paraíso, nem lá há telhados arrancados, árvores quebradas e ferro retorcidos. Só se for por causa do letreiro à entrada do inferno no qual se lê: Por mim vai-se à cidade que é dolente,/ por mim se vai à eterna dor,/ por mim se vai entre a perdida gente.