Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Crónicas do autocarro#87



Os dramas da adolescência não cessam de me enternecer, facto que, quiçá, se deva à circunstância de, apesar da idade crescentemente provecta em que me encontro (trazei-me a bengala s.f.f.), ainda ter bem presente o drama da sobredose de hormonas em circulação na corrente sanguínea. Posso, pois, compreender perfeitamente os dois gandulos que, a vários metros de distância um do outro, ontem debatiam em voz alta a perversa circunstância de uma colega ter aparecido na aula de “física” (leia-se ginástica e não físico-química, nem física nuclear, nem, sequer, física quântica) com umas calças de fato de treino incompreensivelmente “largas”, privando os mocetões dos fulgores do regresso às aulas. Acresce que, este ano e para sossego do meu torturado espírito, já não tenho de ouvir estas pérolas imaginando que os morcões podiam perfeitamente estar a falar da minha filha.