Fui hoje acometido por uma perplexidade dilacerante: a que distância devo estar de um autocarro para que um episódio seja passível de abrilhantar uma das crónicas do dito? Vou evidentemente meditar no assunto, mas, à falta de uma conclusão definitiva, conto desde já, antes que me esqueça, o caso ocorrido hoje na passadeira para peões que há ao pé da igreja da Ordem da Trindade. Existe em todo o caso, a uns vinte metros, uma paragem e, na altura, estava lá um autocarro parado, utentes e isso. Pode parecer que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas nunca se sabe. Quis simplesmente o destino, ou lá o que é, que, enquanto esperava que o sinal para os peões ficasse verde, se tivesse aproximado uma moça vistosa, com um vestidinho elegante e curto que deixava ver um naco generoso daquilo que aparentava ser um belo par de pernas. São, enfim, coisas bonitas que acontecem a quem anda na rua, como o voo dos pássaros ou a floração das árvores, e não vale a pena estar aqui a dizer que não reparei, até porque a rapariga possuía aquele género de pernas que se metem pelos olhos de uma pessoa a dentro. Vi-as eu e viu-as toda a gente, incluindo um par de latagões que estava do outro lado da rua, igualmente à espera no semáforo. Um dos homens, quando me cruzei com ele, estava até a comentar que a moça (suponho) “marchava, ai não”. Não sei. A mim pareceu-me que ela se limitava a caminhar com uma certa graça, mas talvez o homem estivesse a pensar noutra coisa qualquer. E depois, pronto, havia ali um autocarro próximo. Já tinha dito?
Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
Crónicas do autocarro#84
Fui hoje acometido por uma perplexidade dilacerante: a que distância devo estar de um autocarro para que um episódio seja passível de abrilhantar uma das crónicas do dito? Vou evidentemente meditar no assunto, mas, à falta de uma conclusão definitiva, conto desde já, antes que me esqueça, o caso ocorrido hoje na passadeira para peões que há ao pé da igreja da Ordem da Trindade. Existe em todo o caso, a uns vinte metros, uma paragem e, na altura, estava lá um autocarro parado, utentes e isso. Pode parecer que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas nunca se sabe. Quis simplesmente o destino, ou lá o que é, que, enquanto esperava que o sinal para os peões ficasse verde, se tivesse aproximado uma moça vistosa, com um vestidinho elegante e curto que deixava ver um naco generoso daquilo que aparentava ser um belo par de pernas. São, enfim, coisas bonitas que acontecem a quem anda na rua, como o voo dos pássaros ou a floração das árvores, e não vale a pena estar aqui a dizer que não reparei, até porque a rapariga possuía aquele género de pernas que se metem pelos olhos de uma pessoa a dentro. Vi-as eu e viu-as toda a gente, incluindo um par de latagões que estava do outro lado da rua, igualmente à espera no semáforo. Um dos homens, quando me cruzei com ele, estava até a comentar que a moça (suponho) “marchava, ai não”. Não sei. A mim pareceu-me que ela se limitava a caminhar com uma certa graça, mas talvez o homem estivesse a pensar noutra coisa qualquer. E depois, pronto, havia ali um autocarro próximo. Já tinha dito?