Isto podia ser mais uma crónica do autocarro. Mas não é. O episódio sucedeu no metro e não vou, por isso, estar a enganar as pessoas e a abusar da sua credulidade. Bem sei que acreditariam se eu lhes dissesse que isto assim e assim aconteceu na carreira número tal às tantas horas. Mas estaria a mentir e, pior do que isso, teria consciência de estar a mentir e seria ainda obrigado a viver na companhia de um mentiroso, instalado, ainda por cima, dentro da minha cabeça. Não posso, pois, transplantar para o autocarro factos que lá não ocorreram. Deve respeitar-se o autocarro, precatá-lo de contaminações e evitar que se estrague com episódios que lhe são alheios. No autocarro nunca sucedeu, que eu visse, aquilo de ir uma moça muito decotada, e de peito farto, mas tão decotada e de peito tão farto que se lhe via perfeitamente uma parte da auréola do mamilo espreitando por cima dos panos. Isto aconteceu no metro. Já o disse? Pois isto aconteceu no metro. Eu queria avisar a moça dos óculos de sol que se lhe via um pouco da mama direita, um pedaço do seio direito que ela talvez não quisesse mostrar, uma fracção de mamilo que se escapara inopinadamente do sutiã; queria avisá-la disto, para que se compusesse se essa fosse a sua vontade, ou não, mas não soube como fazê-lo sem que ela tivesse a certeza de que eu tinha estado a olhar para o amplo decote dela. Por trás dos óculos escuros, é possível, em todo o caso, que ela tenha notado que eu tinha notado que algo de anormal se passava no decote. Mas eu não tinha a certeza. De qualquer maneira, já o disse, isto não aconteceu no autocarro. Foi no metro. E talvez nem seja verdade.
Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
Crónicas do autocarro#82
Isto podia ser mais uma crónica do autocarro. Mas não é. O episódio sucedeu no metro e não vou, por isso, estar a enganar as pessoas e a abusar da sua credulidade. Bem sei que acreditariam se eu lhes dissesse que isto assim e assim aconteceu na carreira número tal às tantas horas. Mas estaria a mentir e, pior do que isso, teria consciência de estar a mentir e seria ainda obrigado a viver na companhia de um mentiroso, instalado, ainda por cima, dentro da minha cabeça. Não posso, pois, transplantar para o autocarro factos que lá não ocorreram. Deve respeitar-se o autocarro, precatá-lo de contaminações e evitar que se estrague com episódios que lhe são alheios. No autocarro nunca sucedeu, que eu visse, aquilo de ir uma moça muito decotada, e de peito farto, mas tão decotada e de peito tão farto que se lhe via perfeitamente uma parte da auréola do mamilo espreitando por cima dos panos. Isto aconteceu no metro. Já o disse? Pois isto aconteceu no metro. Eu queria avisar a moça dos óculos de sol que se lhe via um pouco da mama direita, um pedaço do seio direito que ela talvez não quisesse mostrar, uma fracção de mamilo que se escapara inopinadamente do sutiã; queria avisá-la disto, para que se compusesse se essa fosse a sua vontade, ou não, mas não soube como fazê-lo sem que ela tivesse a certeza de que eu tinha estado a olhar para o amplo decote dela. Por trás dos óculos escuros, é possível, em todo o caso, que ela tenha notado que eu tinha notado que algo de anormal se passava no decote. Mas eu não tinha a certeza. De qualquer maneira, já o disse, isto não aconteceu no autocarro. Foi no metro. E talvez nem seja verdade.