Como é que eu descreveria a senhora que ontem veio sentar-se ao meu lado? Tinha seguramente mais de 70 anos, talvez quase 80, e era uma velha, claro. Uma velha com o cabelo branco penteado para trás, preso na nuca, muito enrugada, baixinha. Como estas pessoas me enternecem um pouco, talvez me referisse a esta senhora em particular como “uma velhinha”. Mas é um juízo precipitado. Daí a instantes, quando outra senhora que ia no banco da frente declarou que só estava bem em casa e não gostava de sair, a minha companheira de banco reagiu com inusitada vivacidade. Disse que gostava mesmo era de andar rua, de passear, de arejar. Queria, enfim, aproveitar o tempo antes de se transformar numa velhinha. Eu devia, pois, ter prestado mais atenção aos óculos de sol estilosos, parecidos com os dos ciclistas da Volta à França, que a falsa velhinha usava quando se sentou ao meu lado.
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
Crónicas do autocarro#38
Como é que eu descreveria a senhora que ontem veio sentar-se ao meu lado? Tinha seguramente mais de 70 anos, talvez quase 80, e era uma velha, claro. Uma velha com o cabelo branco penteado para trás, preso na nuca, muito enrugada, baixinha. Como estas pessoas me enternecem um pouco, talvez me referisse a esta senhora em particular como “uma velhinha”. Mas é um juízo precipitado. Daí a instantes, quando outra senhora que ia no banco da frente declarou que só estava bem em casa e não gostava de sair, a minha companheira de banco reagiu com inusitada vivacidade. Disse que gostava mesmo era de andar rua, de passear, de arejar. Queria, enfim, aproveitar o tempo antes de se transformar numa velhinha. Eu devia, pois, ter prestado mais atenção aos óculos de sol estilosos, parecidos com os dos ciclistas da Volta à França, que a falsa velhinha usava quando se sentou ao meu lado.