Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Crónicas do autocarro#33



Esta manhã não se ouvia uma mosca dentro do autocarro, tão sossegado estava o ambiente. O único zumbido que se escutava era o do motor e isto manteve-se assim até à Rotunda da Boavista. Aí entraram duas mulheres de cinquenta anos, que deviam ser irmãs ou assim, e se sentaram à minha frente, voltadas para mim e tão próximas que tive que encolher as pernas e ceder-lhes algum espaço. Elas traziam envelopes com exames médicos, mais concretamente, e isto ouvi-o de modo bastante claro, uma “ecografia ao nível da vagina”. Tendo dividido com elas o meu espaço no autocarro, dispensava perfeitamente que tivessem partilhado comigo este pedaço de intimidade delas.