Para pessoas com necessidades especiais (digamos assim), o autocarro há-de ser um sítio bastante aborrecido, a despeito dos episódios ocasionais que ali se podem presenciar. Esta manhã, por exemplo, um pós-adolescente retardado, viajando sozinho, levava um aparelho que emitia sons, ora musiquetas da moda, ora anedotas soezes do Fernando Rocha. Todos podíamos ouvir a anedota do bêbado que vai no autocarro e que anuncia que os passageiros da frente são todos filhos da puta e que os passageiros de trás são todos paneleiros, mas, mesmo assim, o rapaz fazia coro com o comediante e sublinhava o “filhos da puta” e o “paneleiros”, caprichando em reproduzir a pronúncia do Rocha, exagerando o ééééééi de “paneleiros”. Pela minha parte, como ia num dos lugares ao pé da porta de saída, a meio do veículo, fiquei sem saber qual era a minha metade do autocarro.
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Crónicas do autocarro#31
Para pessoas com necessidades especiais (digamos assim), o autocarro há-de ser um sítio bastante aborrecido, a despeito dos episódios ocasionais que ali se podem presenciar. Esta manhã, por exemplo, um pós-adolescente retardado, viajando sozinho, levava um aparelho que emitia sons, ora musiquetas da moda, ora anedotas soezes do Fernando Rocha. Todos podíamos ouvir a anedota do bêbado que vai no autocarro e que anuncia que os passageiros da frente são todos filhos da puta e que os passageiros de trás são todos paneleiros, mas, mesmo assim, o rapaz fazia coro com o comediante e sublinhava o “filhos da puta” e o “paneleiros”, caprichando em reproduzir a pronúncia do Rocha, exagerando o ééééééi de “paneleiros”. Pela minha parte, como ia num dos lugares ao pé da porta de saída, a meio do veículo, fiquei sem saber qual era a minha metade do autocarro.