
Movido pelo mais elementar denodo, vim esta manhã atento como um mocho, concentradíssimo em tudo o que pudesse ocorrer dentro do autocarro, com os olhos bem arregalados. Cheguei a colocar os óculos para melhor observar o que acontecesse e não perder pitada, mas, lamentavelmente, não sucedeu absolutamente nada digno de registo. A viatura vinha quase vazia e já se sabe que, sem palhaços, não há circo. Para os outros passageiros deve ter sido, ainda assim, uma viagem bem divertida, caso tenham tido a maçada de me observar e de apreciar a minha cara de parvo com os olhos ameaçando desorbitarem-se a qualquer instante. Para além disso houve uma mulher que, parece, tropeçou e quase caiu quando saía à pressa para ainda entrar na carreira que seguia à frente. Foi um pormenor que, apesar de todo o meu empenho, me escapou, mas a senhora que viajava ao meu lado viu tudo e dirigiu-se-me para dar conta do facto. Das duas, uma: ou sabe que escrevo estas coisas ou mantém ela, também, um diário daquilo que acontece nos transportes públicos.