Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Crónicas do autocarro#25



A senhora romena chegou esta manhã à paragem e perguntou como se ia para Gaia. Disseram-lhe que nenhuma das carreiras que por ali passam faria o serviço completo, mas, ainda assim, o filho da senhora romena chegou logo depois e despejou vários sacos na paragem. Quando chegou o primeiro autocarro, a senhora romena, o filho e os sacos respectivos entraram à socapa pela porta de trás, enquanto os outros passageiros compravam bilhetes e validavam os títulos de transporte junto do motorista. Apreciei bastante este modo de viajar de transportes públicos “à romena” e só me desagradou verdadeiramente o cheiro dos ciganos e dos seus sacos. A mulher que já nem para companhia serve, porém, indignou-se bastante e afirmou que "a culpa é do nosso governo" e que, se fosse "alguém da nossa raça" a viajar de borla, o motorista não teria feito olhos de mercador. Enquanto eu meditava sobre qual seria “a nossa raça”, ou a raça da mulher que já nem para companhia serve, os romenos e os sacos saíram da viatura na Rotunda da Boavista, operação que demorou um bocado em virtude do elevado número de sacos que foi necessário colocar na rua. O motorista, tolerante, só fechou a porta quando já não havia nenhum saco no interior da viatura. A mim intrigou-me sobretudo o facto de os romenos terem sido mais rápidos e ágeis a entrar com os sacos do que à saída do autocarro.