Terça-feira, 9 de Março de 2010

Crónicas do autocarro#18

O dia amanheceu, enfim, sem nuvens e parece que isso é o bastante para que os utentes se tornem mais loquazes. As mulheres feias, por exemplo, vinham esta manhã bestialmente comunicativas, falando alto de uma ponta para a outra do autocarro, o sol primaveril acendendo-lhes reflexos nas argolas douradas. Uma, muito divertida, chamou pela Amália, alguns lugares adiante:
– Ó ‘Mália! Havias de ter visto a tua cunhada ontem no autocarro. Que figurinha!
Depois fez um gesto esquisito, sacudindo as mãos, fez uma careta e sentenciou que a cunhada da outra parecia mongolóide.
– Que figurinha!
E riu-se muito, mostrando-nos os grandes (e felizes) dentes amarelos.