Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Crónicas do autocarro#15
Estou um pouco farto de ir atento a tudo o que acontece no autocarro. Não sei o que há-de parecer aos outros passageiros, se percebem, ou não, que os vigio para depois vir contar, mas posso supor que o modo compenetrado como olho as coisas do autocarro pareça um pouco tresloucado e que, calhando, me temam mesmo sem saber que leio entre eles sobre coisas como a sodomização de Francine. Imagino os meus olhos esbugalhados, frementes, movendo-se de um lado para o outro para não perder pitada, e não me custa admitir que hei-de parecer um louco, um celerado, um qualquer tipo de destrambelhado. Com óculos de sol, ao menos, ninguém pode ver-me os olhos fixos e arregalados, mas, nestes dias de chuva, tenho que encontrar outra forma de iludir os utentes.