No painel electrónico dos autocarros, os passageiros são aconselhados a evitarem cumprimentar-se com abraços, beijos e apertos de mão. O aviso parece excessivo. Os utentes dos transportes públicos são anónimos e solitários, viajam como encapsulados e apenas conversam quando tocam os telemóveis. Ontem, uma cega, lá à frente, perguntou qualquer coisa sobre a próxima paragem, voltando para trás o olhar estrábico e divagante. Ninguém lhe respondeu. Creio que devia tê-la abraçado.