Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Crónicas do autocarro#10

O tempo é um cão raivoso. Quando era mais novo, corria destemidamente para os autocarros com o à-vontade e o orgulho inconsciente de um atleta olímpico. Esta manhã, tantos anos depois, voltei a correr para apanhar o autocarro e evitar, assim, passar dez ou quinze minutos a enregelar na paragem. E quanta diferença! Solicitados a frio, sem aviso prévio, os músculos acabaram por reagir, mas senti que ameaçavam romper-se a cada passada e que as articulações operavam no limite das suas capacidades, como engrenagens enferrujadas e um pouco decrépitas, bolorentas e cobertas de musgos e salitres. Mas estou bem, obrigado. E consegui chegar a tempo à paragem.

P.S.: antecipando-me a eventuais protestos e reprimendas, introduzi uma pequeníssima alteração no texto supra. Assim, onde se lia "Quando era novo" passou a ler-se "Quando era mais novo". Não é mais verdade, mas talvez seja mais correcto.